PORTUGAL

Flávio Andrade (Moita, 1964)  é formado em Fotografia pelo Ar.co (1998) – Centro de Arte e Comunicação Visual.

Como artista vIsual dedica-se exclusivamente à realização de projectos pessoais tendo como suporte a fotografia e o video. Expõe com regularidade.
Em 2017, cria a editora Flankus Books com o fim de colocar os seus trabalhos em suportes materiais, nomeadamente livros. Bem como editar publicações fotográficas de autor.
É formador no Centro Protocolar de

Formação Profissional para Jornalistas (CENJOR), onde lecciona cursos de fotografia e fotojornalismo.
Colaborou na área do fotojornalismo durante vários anos para várias instituições, jornais e entidades públicas e privadas, tanto nacionais como estrangeiras onde ainda mantém ligação.
Entre 2003 e 2013 foi professor assistente na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, onde co-leccionou a cadeira de Teoria e Prática da Fotografia, no Curso de Comunicação Social e Cultural.
As suas fotografias fazem parte de colecções públicas e privadas em Portugal, (Pequena Galeria,  Instantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes, Duna Parque Hotel Group, Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Museu de Fotografia de Braga, Museu de Jesus de Setúbal, Museu do Trabalho Michel Giacometti de Setúbal).

 

PROJECÇÃO: REFRESCO

© Flávio Andrade

As praias oceânicas sempre me fascinaram. São intemporais. Como as fotografias a preto e branco que o meu pai nos tirava na praia, com a “RolleiFlex”. Recordam-me as cadeiras à volta da mesa para a refeição, à sombra do chapéu-de-sol. As geleiras cheias de deliciosos petiscos, acompanhados sempre pelo suplício que se seguia. As horas intermináveis da digestão, antes de poder regressar à água.

Os corpos desprotegidos à exposição solar. Os fatos de banho, os gelados de cone “fruta ou chocolate”, os pregões do “Ervilha” o senhor que vendia as bolas de Berlim, o colchão vermelho, as barbatanas azuis que adorava, os castelos de areia e os refrescos de laranjada.

Todos partilhamos de alguma forma – e habitualmente na mesma época – esta relação afetiva com a praia. Durante as férias, ao fim-de-semana, ao nascer do sol ou ao final do dia. E foi sobre esta relação, como a minha, que decidi debruçar-me e “mergulhar” neste projeto.

Foi um trabalho de três anos, 2012, 2013 e 2014, em várias fases. Em praias de norte a sul do país.

O que nos leva hoje à praia é o mesmo que nos levava há 10, 20, 30 anos atrás? Ou no verão passado? O que muda com o tempo? Os comportamentos e hábitos? As modas e as poses? Os corpos e os gestos? Refletem o “ser português” na praia? Existe o “ser português” na praia?

A estas e outras perguntas tentei responder fotograficamente.

“Estou quente. Os pés demolhados na água salgada e a ideia que tenho em mãos, sobreaquecem-me e estimulam-me. Refresco-me”.

E, foi assim que parti para a praia com uma câmara fotografia.

 

 

 

 

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