Jorge Pimentel

PORTUGAL |

Um qualquer lugar ao Norte será a pátria deste transmontano de olhar dividido entre horizontes largos e verdes profundos.

Jorge Pimentel é natural de Avelanoso, uma pequena aldeia do concelho de Vimioso, no Nordeste Transmontano e é entre a Terra Fria, o Planalto Mirandês e a “raia” com as “Terras de Aliste” (Alcanices-Zamora), que encontra as suas mais profundas referências. É nessa ligação à terra-mãe encontra razão para olhar mais longe, porque aí o chão sempre se encontra com o céu e percorrer caminhos de palavras.

No entanto, é no Minho, onde o horizonte se fecha na primeiríssima mancha de verde, que fez parte significativa do seu percurso de estudante, enquanto jovem e é aqui que retoma uma velha paixão – a fotografia – quando regressa para novos desafios profissionais, após aprofundamento de estudos e dedicação cada vez maior às ferramentas educativas proporcionadas pelo desenvolvimento tecnológico em informação e comunicação.

Atualmente Jorge Pimentel é professor do primeiro ciclo na cidade de Vila Nova de Famalicão e usa a fotografia e as suas possibilidades para promover o gosto pelo conhecimento e, especialmente, pela leitura e escrita, no universo marcado pela temporalidade volátil de recursos e atenção dos seus alunos.

 

EXPOSIÇÃO: JÓIAS EFÉMERAS NA NEGRITUDE

© Jorge Pimentel

Penetrar no ventre da terra, nos diferentes lugares do Maciço Cársico Estremenho, é algo sempre singular, e percorrer os duzentos e dez metros desta gruta, em plano horizontal e de rara beleza, com iluminação frontal num capacete de espeleólogo amador é viajar em reflexos prateados e outros, nas faces polidas dos cristais de calcite, que se abrem entre ouro, ocre e negritude.

Ao fundo, nas salas mais distantes da entrada, a surpresa premeia o olhar de quem se dá à visão do mais pequeno e mais próximo. E entre os reflexos minerais esperados, surgem pérolas de água presas a filamentos minúsculos que um olhar mais atento identifica como pernas e corpos de mosquitos, presos, a seis, nas paredes e tetos da gruta.

Minimíssimas peças de filigrana cristalizada a cálcio, pela escorrência das águas e precipitação mineral nos esqueletos num processo de gota de água, cristal e fim.

É que, invariavelmente, o depósito de calcário aumenta o peso da joia até que, o último filamento esquelético do defunto corpo de mosquito se desprende e toda a joia se despenha no chão da gruta, irremediavelmente perdida para qualquer apreciação.

E o olhar atento do visitante tem que usar o gozo da beleza efémera e voltar a tempos, para procurar e apreciar novos e mínimos depósitos de calcário, em esqueletos/cadáver de mosquito, presos às paredes e tetos mais profundos da Gruta das Alcobertas (Rio Maior).

Esta exposição é formada por um conjunto de retratos dessas minúsculas “Joias Efémeras na Negritude

 

 

 

 

 

 

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