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José Fangueiro nasceu em Ovar, Portugal em 1963.

Desde que chegou a Sion, em 1981, José Fangueiro começou a interessar-se pela fotografia.

Autodidacta, é atraído pelo azul intenso do céu do Valais. O mundo abre-se para ele com a verticalidade de um país alpino e a exploração começa…

Fotógrafo profissional desde 2012, José convida-nos para uma viagem singular num universo de perspectivas que domina com mestria, com personagens, na maioria das vezes, solitárias. Atraído por um espaço que se “concentra ”, espera uma pessoa, por vezes durante horas e atribui-lhe uma relevância específica no movimento espontâneo; uma identidade individual que se liberta e que afirma a sua autonomia. Tratar-se à de uma identidade de imigrante que é tímido face à diferença que observa em seu redor?

Na cidade, alimenta-se da repetição dos elementos e compõe as suas imagens como se fossem notas suaves da vida diária com gestos espontâneos; brinca com o tempo e com o espaço em função das formas e das cores do dia.

A sua linguagem fotográfica alimenta um mistério e atrai inevitavelmente o nosso olhar procurando a fonte deste fogo que queima na profundidade das suas imagens. Esta luz viva interpela-nos e procura -nos uma sensação forte como uma passagem da sombra para a luz vibrante / ou brilhante!

No entanto, “a água, é o meu elemento preferido”, reage José, filho do mar.

Mar e terra – uma vida tecida de contrastes, uma emoção escondida que pode reaparecer em qualquer momento porque a força da imagem transcende a sua vida. O território e a existência humana misturam-se, formando um conjunto indivisível, um equilíbrio apaziguante.

 

Património material e imaterial

José tem o sentido das responsabilidades e concede uma vida radiante ao património existente, aos ofícios, face ao mundo que se altera e se transforma sob os seus olhos. Documenta, com uma coerência, a investigação analítica de um apaixonado que observa este mundo que desaparece face à sua objectiva. E ele não lhe permite de partir sem deixar vestígios…

A sua investigação fotográfica assenta no património cultural, particularmente nos ofícios de artesões e dos trabalhadores.

Com uma facilidade inata para apreender o movimento e a força infinita do mar, José canta uma ode aos pescadores de Cabo Verde – o que lhe vale uma distinção da UNESCO pelas suas imagens. O sentimento de pertença pinta os rostos marcados pelo vento, pelo sol, pelo duro labor. O espectador, inevitavelmente, testemunha o seu respeito para com estes homens, estes trabalhadores, com a sua capacidade de aceder à uma dignidade espiritual após um longo dia de trabalho.

Os ofícios tradicionais que estão a desaparecer, as maneiras de pescar “Arte Xávega” (foi feito um pedido para que esta arte seja inscrita na lista do património imaterial da UNESCO).

Fascinado pelo fogo e pela maneira de trabalhar, José captou durante três anos as imagens dos últimos tanoeiros em Portugal (Ovar, Espinho e Penafiel, na região do Porto); na Escócia (Ilhas de Aran); nos Estados Unidos em Louisville, (“Kelvin Corporation”, o maior produtor artesanal na região).

 

EXPOSIÇÃO: SONS ALPINOS

© José Fangueiro

A pecuária, especialmente da raça Hérens, faz parte da cultura da nossa região de Valais. Como cada vaca tem o seu chocalho, isso permite identificá-la e facilita o trabalho do pastor na hora de reunir o rebanho.

O número de artesãos nessa área é baixo, embora a procura por chocalhos ainda seja importante, tanto para os agricultores quanto para os moradores da cidade, que o tornam um objecto decorativo muito popular.

É também usado em festas de wrestling , combate de vacas rainhas, aniversários e outros eventos folclóricos e  são especialmente apreciadas como objectos coleccionáveis.

Fazer um chocalho forjado à mão é muito trabalhoso e é necessário muito know-how. Apenas um trabalho de qualidade permite obter um chocalho precioso, com um som agradável e uma aparência atraente.

 

 

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