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Cada fotografia que faço é uma homenagem à vida

Leandro Martins nasceu no Rio de Janeiro, em 1980. Trabalhou para O POVO, jornal dedicado à  cobertura policial e cujo papel impresso, diziam por ironia, se espremesse pingaria sangue. Graduado em publicidade e pós graduado em marketing, abriu um pequeno estúdio em 2009 e trabalhou com o departamento criativo e de comunicação de algumas empresas e agências de publicidade. Abandonou o mercado publicitário ao sentir que  sua experiência no jornal havia aprofundado o seu olhar na observação da vida e na fotografia documental.

Em 2013 concluiu O JOGO, seu primeiro projeto com a nova orientação. Em 2014, foi convidado a realizar três exposições individuais: no Centro Cultural Light e no Centro de Cultura SESI-RJ, no Rio de Janeiro, e no Centro de Fotografia da Universidade Federal Fluminense, na cidade de Niterói.

Desde então viajou por mais de 25 países a criar imagens evocativas de onde passa. O fascínio por lugares de forte contraste, pelo poder das cores e pela sua identificação com a diversidade humana fizeram dele um contador de belas histórias. O contato com a maior seca já registrada no Nordeste do Brasil direcionou o seu olhar ainda mais para os dramas humanos que precisam ser exibidos.

Leandro define o seu trabalho como documentário experimental feito em cruas imagens. Seu gesto fotográfico está carregado de responsabilidade. Acredita que o tempo em que viveu na periferia de uma das cidades mais belas e perigosas do mundo o credenciaram a testemunhar lugares e pessoas em sua diversidade. Esta vivência encontra-se presente em cada uma de suas fotos. Ele está em busca permanente da imersão e da fusão com o ambiente em sua volta com a convicção de que é importante viajar pelo mundo e abrir os olhos e o coração para o que é belo e trágico na vida humana.

 

EXPOSIÇÃO: HERANÇA

© Leandro Martins

Migração em massa, fome, sede e miséria estão associadas à seca na região do Nordeste do Brasil. Há relatos das longas estiagens por colonizadores portugueses na região desde o século 16. Ainda hoje, cinco séculos depois, o drama humano e o prejuízo econômico da seca ainda é assunto de destaque na capa dos principais jornais do mundo.

HERANÇA é o resultado do trabalho de Leandro Martins sobre a seca que abateu o semiárido nordestino de 2012 a 2013, considerada a pior dos últimos 50 anos. É uma tentativa de responder à questão que ele mesmo se fez antes de embarcar nesta jornada: até quando? Olhos, coração e, sobretudo, paixão foram necessários para buscar tal resposta nas linhas da fronteira entre o sertão de Pernambuco e o da Paraíba.

É a denúncia de um crime cometido ao longo dos anos contra pessoas desprotegidas a morrer de sede e fome diante de políticos e empresários que enriquecem com os frutos dessa devastação. Estas fotografias tentam criar consciência pelo olhar. Talvez, quem sabe, ajudar a encontrar alguma saída.

Somente naquele período foi relatada a morte de 4 milhões de animais e calculadas perdas de aproximadamente R$ 20 bilhões. Se ampliarmos o espaço de tempo, nos últimos 150 anos morreram no Nordeste brasileiro cerca de 3 milhões de pessoas em decorrência da seca e do descaso.

Os governantes tratam o assunto como plataforma eleitoral, prometem soluções que custam bilhões aos cofres públicos e esse dinheiro alimenta o que ficou conhecido como a “indústria da seca”. Os poderosos da região, que direta ou indiretamente fazem parte dos governos, usam a seca para obter benefícios como mais crédito ou o perdão de dívidas. Os recursos são enviados pelo governo federal para a execução de obras pelos governos estaduais e o dinheiro desaparece.

Essa é a HERANÇA do povo do Nordeste do Brasil e também dos filhos, sobrinhos e apadrinhados daqueles que exploram a seca em benefício próprio e perpetuam uma histórica tragédia.

 

 

 

 

 

 

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