PORTUGAL

Marcelo Brites, nascido a 21 de março de 1987.
É natural de Vale de Santa Margarida, Freguesia de Arrabal, Concelho de Leiria. Nos
últimos 6 anos colaborou com vários jornais, regionais, nacionais e internacionais,
como jornalista e fotojornalista.
Atualmente é investigador na Universidade do Minho, e faz da fotografia o seu hobby

 

EXPOSIÇÃO: O ENTERRO DO BACALHAU

© Marcelo Brites

O Enterro do Bacalhau, é uma tradição teatral pagã, que acontece, no sábado de
Pascuela, de quatro em quatro anos desde 1992 no Soutocico, Freguesia de Arrabal,
Concelho de Leiria.
A primeira edição, segundo registos, teve lugar em 1938, sendo que, por proibição do
regime de Salazar, a segunda edição só voltaria às ruas do Soutocico em 1976 — altura
em que o Clube Recreativo e Desportivo do Soutocico assume a organização do evento
teatral, que envolve toda a população da aldeia e voluntários das aldeias vizinhas da
Freguesia de Arrabal.
A tradição do Enterro do Bacalhau, crê-se remontar ao século XVI, no período do
movimento de contrarreforma em que o Concílio de Trento, conferindo à igreja
Católica um poder centralizado e de autoritarismo, que levou a uma nova inquisição,
onde era proibida o consumo de carne durante o período quaresmal, e que abria
exceções a todos os que, com o seu dinheiro, pagassem à igreja uma ‘bula’. Este
indulto, apenas ao alcance dos mais endinheirados, deixava os mais desfavorecidos de
fora, obrigando-os ao consumo de peixe durante as sete semanas da Quaresma —
sendo o peixe mais acessível o bacalhau.
Ao todo, a encenação teatral conta com cerca de 300 figurantes, de entre bispos,
padres, freiras, sacristão, coveiro, pescadores, varinas, carpideiras, padeiros,
cangalheiros, músicos, tochas (que iluminam todo o cortejo) e claro, o fiel amigo a
enterrar, o Bacalhau.
Ao longo do cortejo fúnebre, compassado ao som de Chopin, e por de entre o choro
das carpideiras, existem quatro paragens, para leitura dos sermões, ‘Vida e morte do
Bacalhau’, ‘Testamento do Bacalhau’, ‘Exéquias do Bacalhau’ e no final do cortejo a
‘Queima do Judas’ compõe toda esta trama ao mesmo tempo que satirizam o País.
No final, o Bacalhau é sepultado, e Judas (uma figura bíblica) pendurado numa árvore,
é morto encerrando esta trama a propósito do “fiel amigo” do povo, o Bacalhau.

 

 

 

 

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