Mário Ferreira

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Mário Ferreira (Lisboa, 1963) começa a fotografar e a revelar fotografias com apenas 12 anos, por influência do seu pai, que lhe oferece um kit para realização de fotografias por contacto, confiando-lhe também a câmara fotográfica 6×9 do seu avô. Dois anos depois, oferece-lhe um ampliador e empresta-lhe a sua câmara, já de filme 35mm e lentes intermutáveis. É a partir daí que começa a explorar a captação e impressão de imagens do quotidiano. Torna-se um leitor ávido sobre técnica fotográfica, tendo aperfeiçoado muito a ampliação com “máscaras” de cartão, de modo a valorizar determinadas zonas da imagem em detrimento de outras.

Em 1980, enquanto estuda engenharia no Instituto Superior Técnico, dedica o seu tempo livre ao Núcleo de Arte Fotográfica do IST e nele desenvolve uma actividade intensa, não só de produção fotográfica, mas também de divulgação do próprio Núcleo junto das diversas associações fotográficas nacionais e internacionais.

É na década de oitenta que a sua produção fotográfica é mais rica, tendo participado em várias exposições colectivas e individuais, em concursos e na maioria dos acontecimentos ligados à fotografia em Portugal. Entre estes, destacam-se os “Encontros de Fotografia de Coimbra”, nos quais conheceu grandes fotógrafos que se tornaram suas influências, nomeadamente Robert Frank e Manuel Alvarez Bravo.

A partir de 1991, devido a uma actividade profissional muito intensa, deixa de fotografar enquanto forma de comunicação, cingindo-se às fotografias da família.

Em 2003 decide trocar a engenharia pela medicina e volta a interessar-se, ainda que timidamente, pela sua antiga paixão, a fotografia humanista. Faz um workshop com David Alan Harvey, de quem se torna um forte admirador e é hoje uma das suas principais referências. Participa também em workshops de fotografia de natureza e viagens com o fotógrafo e repórter António Sá, de quem se torna grande amigo.

Em 2012, na sequência do desaparecimento do seu amigo Bernardo Sassetti que, para além de um enorme músico, era também um grande fotógrafo, Mário Ferreira sente como que uma obrigação moral de voltar a fotografar com maior empenho, de modo a eternizar em imagens, momentos marcantes na sua vida e das pessoas que a atravessam.

Recomeça então uma produção fotográfica mais consistente, dedicando-se sobretudo à fotografia documental de viagens e à fotografia de artes de palco.

A existência de redes sociais ajudaram a divulgar as suas imagens, permitindo-lhe reencontrar-se com inúmeros protagonistas da fotografia em Portugal e no estrangeiro. Esta rica interacção tem-lhe aberto portas para expor e divulgar o seu trabalho fotográfico, como acontece com esta exposição no iNstantes de 2018.

 

EXPOSIÇÃO: AÇORES, UMA VIVÊNCIA

Mario Ferreira-Pescadores-iNstantes - Cópia© Mário Ferreira

Três foram as visitas que fiz aos Açores. Ora em trabalho, ora em lazer. Duas sozinho e uma acompanhado pela família. Nunca fui aos Açores com o propósito de fotografar mas, inevitavelmente, não pude deixar de captar um pouco da sua imensa beleza.

Quando me convidaram para apresentar algumas fotografias no pólo açoriano dos iNstantes, não resisti a apresentar algumas das imagens que lá tinha captado.

As nove ilhas dos Açores são para mim dos lugares mais belos da Terra. A sua diversidade dá-nos a possibilidade de, com uma curta travessia de barco, sentirmo-nos como se de um continente para outro tivéssemos viajado.

Falar com pescadores do mais belo mar do mundo, escutar o silêncio da terra com a visão da mais sensual das encostas, imaginar a força da natureza olhando o cone vulcânico mais recente da nossa existência, assistir à largada de uma regata frente à montanha mais alta de Portugal, ou ouvir a balada das ondas numa piscina natural com a serenidade de saber que alguém nos protege, foram estas as emoções que eu vivi através destes instantes.

Estou grato às terras e às gentes que ali tão bem me acolheram.

texto de Mário Ferreira | Março de 2018

 

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