Colectivo OctoActo

ARGENTINA e COLÔMBIA | http://www.octoacto.org

Voltar ao essencial, à luz, ao outro.

É esse o propósito de Iván Castiblanco Ramírez, Maya Socha, Carlos Clavijo, Miguel Garcia, Juan Franco, Chelco Rezzano Roberto Africano e Vichy Poma, os fotógrafos da Argentina e da Colômbia que constituem o Colectivo OctoActo.

São um colectivo, não com a intenção de propor uma estética ou uma certa definição de fotografia, mas antes de tudo para poder partilhar entre eles e com outros espectadores, os projectos que cada uma e cada um desenvolve.

Propõem, como ponto de partida para a fotografia, a reflexão do autor fotográfico acerca do que o rodeia, para que possa usar a fotografia como uma mediação com o mundo e com os outros. O seu propósito é realizar uma fotografia que propicie a construção de um outro olhar acerca da vida quotidiana, das problemáticas sociais, das culturas, das tensõess geradas em contextos de exclusão e o encontro no meio das diferenças.

Em suma, o que lhes interessa da fotografia é a possibilidade de relacionarem com isso a que se convencionou chamar “realidade” e, antes de mais, com a experiência do acontecimento do outro diante do nosso olhar.

 

VARIAÇÕES DO MESMO

ivan-02© Iván Castiblanco Ramírez

Esse que vejo na fotografia, és tu?… Esse que vês na fotografia, sou eu?… Quando me vejo a mim mesmo numa fotografia, vejo-me a mim mesmo?

Três perguntas que, para alguns, quiçá para a maioria, podem ter uma resposta directa e simples: “Claro que sim, porque toda a fotografia onde aparece o Outro, ou eu mesmo, é uma marca do seu “isto foi assim”, sinal inequívoco de identidade, representação que corresponde à realidade desse corpo, desse rosto, de esse olhar, de essa pessoa”… Porém, quando vemos uma fotografia em que “aparecemos”, acontece uma espécie de estranhamento, como se aquele que olhamos não nos representa tão fielmente, como se desse rosto sobrasse algo, como se a esse corpo faltasse alguma particularidade, como se nesses olhos não estivesse o nosso olhar, como se esse a quem vejo, e que me vê, não fosse eu. E se isto se passa ao vermo-nos a nós mesmos nessas marcas de luz (e de sombras!), porque não podemos pensar o mesmo em relação ás fotografias onde vemos o Outro? Talvez devêssemos aceitar que nos retratos que fazemos, e que olhamos, não está o Outro: algo lhe falta, muito lhe sobra, e ali não está o seu olhar. Porém, a pulsão por fazer retratos e auto-retratos permanece, talvez porque estamos obcecados com capturar esse Outro numa fotografia (ainda esse Outro seja o mesmo).

“Variações do mesmo” surge  como uma pergunta no meio desta tensão. Aqui existem oito olhares que exploram a própria imagem em auto-retratos, oito buscas que flutuam entre o desejo de se encontrar, de se (re)presentar, de se (re)conhecer (ou de ser (re)conhecido?) e a intenção de fugir, de evitar deixar rasto algum, de se ocultar, de se excluir, de se desvanecer. Em todo o caso, a exploração que produziu este projecto colectivo levou a cada fotógrafa, a cada fotógrafo, a olhar-se de outra forma, a surpreender-se após perceber que no seu rosto, no seu corpo, se escondem imagens inimagináveis, mas também, a deixar de lado a pretensão de dominar a técnica, a estética fotográfica, e dar lugar à experimentação… não… dar lugar ao jogo.

Convidamos os espectadores a olhar jogando, quer dizer, a imaginar que nestas  fotografias existem outras imagens destes corpos, destes rostos, que nós, os autores, ainda não vimos.

Iván Castiblanco Ramírez
Director Editorial do Colectivo OctoActo

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