BRASIL

Natural de Campo Grande, autodidata, iniciou a sua carreira como fotojornalista, colaborando com diversas revistas e jornais. Ao longo do tempo, afirmou-se como um importante documentarista da região Centro-Oeste do Brasil. O seu trabalho foi amplamente reconhecido a nível nacional, tendo recebido vários prémios de relevância, além de ter desenvolvido exposições, expedições e projetos autorais. A principal marca da sua obra é o olhar de carácter antropológico, que procura compreender e traduzir visualmente as raízes naturais e humanas da cultura brasileira. Em 2014, publicou o seu primeiro livro de fotografia – O Pantanal de José Medeiros – resultado de uma década de imersão no território e que retrata o homem pantaneiro e a singularidade da sua cultura, tendo-lhe valido o Prémio de Fotojornalismo da Editora Globo e o reconhecimento de destacados críticos de arte. Em 2024, publicou o livro Dia de Festa – Manifestações Culturais de Mato Grosso e, em 2025, Pantanal. Durante o período da maior crise sanitária global, após isolamento e quarentena, regressou ao Pantanal em busca de respostas sobre os impactos da COVID-19 numa população geograficamente isolada. Nesse contexto, deparou-se com o maior incêndio da história da região, o que o levou a iniciar um projeto de documentação das transformações do Pantanal ao longo de uma década (2020–2030), intitulado Pantanal+10. Em 2022, apresentou a primeira fase desse trabalho, com a exposição e livro Céu e Inferno em Terras Alagadas, e o documentário Fogo e Fé. A partir de 2025, desenvolve o projeto Travessia Pantaneira, uma iniciativa de escuta social e de fortalecimento das comunidades pantaneiras. Em 2026, apresenta No Tempo das Águas, um registo documental e socioambiental sobre as transformações climáticas neste santuário de vida selvagem e os impactos na maior planície alagável do mundo.

EXPOSIÇÂO: Indígenas – outros 500

© José Medeiros

Temos a oportunidade de fazer um exercício de entendimento mínimo de uma questão que nos acompanhada por toda a história brasileira, e sobre a qual raras vezes a sociedade costuma refletir sobre a chamada “questão indígena”. O povo indígena, após vários remanejamentos, acabou por se instalar no Parque Nacional do Xingu. É lá que foi encontrá-los José Medeiros. Há trinta anos atrás. Voltando sempre que possível, para vivenciar a aldeia, os costumes, aprender e devolver de alguma maneira todo o aprendizado.
José Medeiros, numa provocação, usa técnicas de guerra como camuflagens para nos motivar para sua causa. As fotos apresentadas fazem parte de um projeto mais amplo: Já fui Floresta!!! Didaticamente, o fotógrafo vainos obrigando a enxergar o que todos nós estamos perdendo. Água e Vida!!! Acredito na função social e educadora da fotografia, como também que cada um de nós pode, sim, ser um agente transformador, se deixarmos de ser meros expectadores de um mundo que se deteriora lentamente.
E nesse processo precisamos aprender a olhar o meio ambiente como presença constante em nosso dia a dia, em todas as atividades individuais e coletivas. Muitas vezes o menos é mais. Seremos capazes de sair de nossa zona de conforto para reinventar nosso convívio social, e nossa relação com o meio ambiente, enriquecendo nosso modo de vida com informação, conhecimento, pesquisa, cultura, criatividade?

(Nair Benedicto)

CARTAZ

 

Total Page Visits: 588 - Today Page Visits: 1