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Nasceu em 1970, em Santa Fé, na Argentina, de onde partiu, com 10 anos, para Florianópolis, no Brasil, onde tem casa, à qual regressa sempre no final das suas viagens e onde se encontram os pais, as irmãs e toda uma família construída ao longo dos anos. A sua condição de imigrante despertou nela o interesse pela diversidade étnica e cultural. Posteriormente, a interação com missionários católicos levou-a a fazer voluntariado em vários países, tendo vivido, inclusive, um ano na Amazónia (Brasil) e dois anos na Guiné- -Bissau (África). Foi precisamente o conflito armado de 1998, em África, o precursor da sua carreira fotográfica. Os seus primeiros ensaios nesta área, com crianças de rua em situação de vulnerabilidade social, aliados à experiência marcante da Guiné-Bissau, definiram a sua linha de atuação como fotógrafa. Transformou, deste modo, a fotografia num instrumento de reflexão, comunicação e denúncia. Possui hoje uma vasta experiência como fotógrafa documental, tendo colaborado com diversas instituições e ONG: UNICEF, Cáritas, Mundo & Missão, entre outras. Organizou várias exposições nacionais e internacionais. Foi premiada no Brasil, na Argentina, na Colômbia e em Cuba, no âmbito da fotografia e de projetos culturais.
Licenciou-se em Educação Artística e doutorou-se em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Nesta instituição de ensino superior, leciona fotografia.
EXPOSIÇÃO: Entre o céu e a terra: tempo, morte e ancestralidade
©Virgínia Yunes
Durante séculos, o pensamento colonial descreveu as religiões africanas como “animistas”, reduzindo-as à ideia de que tudo era objeto de adoração. Hoje, essa leitura está ultrapassada. Em muitas culturas africanas, acredita-se num Deus único, criador de tudo, porém distante e inacessível diretamente. A relação com o sagrado acontece por meio de espíritos intermediários, sobretudo os antepassados, que permanecem ativos na vida da comunidade. Nesta visão do mundo, o tempo é circular. Não caminha para um fim, mas regressa continuamente: chuva e seca, plantio e colheita, nascimento e morte. As pessoas também seguem esse movimento. Quem parte não desaparece — regressa, de outras formas, mantendo a sua presença no mundo. A reencarnação e o reconhecimento dos antepassados nos gestos, atitudes e comportamentos das novas gerações fazem parte dessa continuidade.
A morte é vivida como dor, mas também como passagem. Elementos como o diagnóstico tradicional da morte, o uso abundante de panos de pente e o sacrifício de animais domésticos fazem parte do ritual. Nestas cosmologias africanas, o mundo espiritual não está distante. Circula entre casas, aldeias e corpos. Os antepassados observam, orientam, protegem e exigem.
Assim, enquanto houver rituais, memória e ancestralidade viva, não existe fim do mundo — existe retorno.
CARTAZ

